MP denuncia médicos do HC da Unicamp que lideraram esquema de 'fura fila' de cirurgias bariátricas

  • 25/03/2026
(Foto: Reprodução)
Elinton e Felipe teriam liderado esquema de "fura fila" do SUS Reprodução/EPTV O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou nesta terça-feira (24) dois médicos do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas (SP), que teriam liderado um esquema que possibilitava pacientes de uma empresa a "furar a fila" do Sistema Único de Saúde (SUS) para terem acesso a cirurgias bariátricas. Na denúncia à Justiça, o órgão estadual aponta que a entidade privada manteve contratos com prefeituras, entre elas a de Indaiatuba (SP), para atendimento de casos de obesidade. Não há detalhes do período em que as irregularidades aconteceram. Um dos suspeitos é Felipe David Mendonça Chaim, que, além de servidor, é sócio-proprietário da empresa que atendia os pacientes nas cidades. Já o outro denunciado é Elinton Adami Chaim, pai de Felipe, que era chefe do ambulatório de obesidade do HC e responsável pelo agendamento de cirurgias no local. Ele teria viabilizado "encaixes" a pacientes da empresa do filho no hospital público. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp O MP pediu o bloqueio de R$ 1,4 milhão dos investigados, valor estimado do suposto enriquecimento ilícito. O órgão ainda quer que eles sejam afastados e, posteriormente, demitidos. Em nota, a Unicamp disse que instaurou dois Processos Administrativos Disciplinares para apurar as supostas irregularidades. As apurações já foram concluídas, e Felipe foi suspenso por 10 dias e Elinton foi absolvido. "A universidade ressalta que os processos administrativos seguiram os trâmites institucionais previstos, com garantia de ampla defesa e do contraditório", completou. Já o advogado Gabriel Gallo Brocchi, que representa os suspeitos, afirmou que ainda não tem conhecimento da denúncia. Ele negou prioridade em encaminhamentos e apontou que os pacientes da entidade eram preparados para serem cadastrados na fila — leia manifestação completa abaixo. A Prefeitura de Indaiatuba informou que não mantém mais contrato com a empresa e destacou que, durante a vigência contratual, não foram identificadas irregularidades na prestação dos serviços. A Secretaria de Saúde disse que permanece à disposição para eventuais esclarecimentos. Encaminhamentos sem parceria De acordo com a denúncia do MP, a CHM Serviços Médicos Ltda, que pertencia a Felipe e sua esposa, mantinha convênios com prefeituras para prestar atendimento a pacientes com quadro de obesidade. O contrato que chamou a atenção do promotor Daniel Zulian foi com Indaiatuba por conta das "claras evidências de irregularidades". Esse vínculo durou de 2015 a 2025. Após acompanhamento multidisciplinar, caso o paciente apresentasse perda de 10% do peso corporal, ele era encaminhado diretamente ao ambulatório de obesidade da Unicamp para cirurgia bariátrica. No entanto, o município não tinha qualquer parceria com a universidade. 🔎 O que é a cirurgia bariátrica? Há diversos tipos de procedimentos. Porém, em geral, é uma cirurgia que "grampeia" ou remove parte do estômago para reduzir o seu tamanho e a sua capacidade de absorção ou de receber alimentos. A intervenção ajuda os pacientes a perder peso e deixar um quadro de risco à vida (obesidade mórbida). Os "encaixes" dos procedimentos dos pacientes teriam sido viabilizados por Felipe e Elinton. "Um dos médicos [Elinton] era o chefe do ambulatório e, nesta condição, ele tinha o poder e a capacidade de determinar quais seriam os casos novos atendidos. Ele permitia que os pacientes da empresa recebessem atendimento privilegiado. O outro médico prestava atendimento no ambulatório. Era uma atuação em conjunto", explicou Zulian. 'Fura fila' do SUS Cirurgias bariátricas aconteciam no HC da Unicamp Reprodução/EPTV O esquema possibilitava que os pacientes da empresa "furassem a fila" do SUS. Por conta do HC ser um hospital público, o trâmite correto seria fazer o atendimento das pessoas e, quando estivessem liberadas para cirurgia, entrassem na fila da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross). Como funciona o encaminhamento da Cross: Após atendimento na rede pública, o paciente que precisa de intervenção cirúrgica é cadastrado em uma fila do procedimento que ele precisa. No caso, as pessoas seriam colocadas na fila da cirurgia bariátrica; Se nesse cadastro o médico indica que o caso demanda urgência, o paciente recebe prioridade; Se o caso é apenas ambulatorial (sem urgência), a realização da cirurgia pode demorar, já que passaria a depender da disponibilidade de leitos, de médicos e até mesmo do tamanho e do "andamento" da fila. Os pacientes da CHM não eram submetidos à Cross e teriam recebido a cirurgia por meio de "encaixes". Isso significa, segundo o MP, que essas pessoas receberam tratamento privilegiado. "O que foi comprovado é que havia diversos pacientes oriundos de diversos municípios que a empresa tinha contrato, um deles Indaiatuba, que eram atendidos no ambulatório da Unicamp sem estarem na fila do SUS de regulação. O que caracteriza a fraude ao sistema de acesso ao serviço público em um hospital público", ponderou Zulian. Improbidade administrativa e bloqueio de valor Zulian apresentou denúncia à Justiça contra os médicos Reprodução/EPTV Em entrevista à EPTV, emissora afiliada da TV Globo, o promotor lembrou que recursos públicos são direcionados à Unicamp para bancar o ambulatório de obesidade. Por isso, teria sido usada verba pública para atendimentos particulares, o que representaria lesão à universidade. Zulian também destacou que a CHM e, por consequência, Felipe e Elinton ganhavam dinheiro com os atendimentos vinculados aos contratos com as prefeituras. "Eles cometeram improbidade administrativa. No caso específico, foi gerado um enriquecimento ilícito pelo fato deles terem recebido valores particulares e utilizado a estrutura e o serviço público. Também pode caracterizar outros crimes", afirmou. Durante investigação, o MP estimou que os suspeitos ganharam R$ 1,4 milhão com o esquema. O promotor pediu, em caráter liminar, o bloqueio de bens dos investigados correspondente ao valor levantado e que sejam afastados dos cargos que ocupam no HC. Também em relação aos investigados, Zulian solicitou que, ao fim do processo: Sejam condenados por improbidade administrativa; Percam bens bloqueados; Percam funções públicas; Percam direitos políticos por 14 anos; Sejam obrigados a pagar multa civil a ser calculada; Sejam condenados a pagar R$ 432 mil por danos morais coletivos. "Além do prejuízo gerado para as pessoas que estavam na fila da Cross, gerou um prejuízo para toda a coletividade, inclusive tirando a própria credibilidade do SUS", justificou Zulian. Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça. O que diz a defesa dos médicos Os doutores [Elinton] Chaim e Felipe ainda não foram citados no processo movido pelo Ministério Público. Isso significa que eles não têm conhecimento do teor das alegações do promotor. Então, não podemos nos manifestar sobre os fatos. Se os fatos alegados na petição forem exatamente os mesmos que foram deduzidos nos Procedimentos Administrativos Disciplinares da Unicamp, vamos reiterar nosso posicionamento. Somos completamente convictos nesses argumentos que, no final das contas, inclusive no relatório final, ficou reconhecido que não houve prejuízo à fila Cross e que não houve preterição a outros pacientes do SUS. Nós vamos nos manifestar no momento oportuno, durante o processo. Antes disso, a gente sequer poderia se manifestar sobre esses fatos. Sobre a questão dos procedimentos da Unicamp, não há atendimento preferencial. A empresa do doutor Felipe não faz encaminhamento à Unicamp. Quem faz o encaminhamento é a secretaria municipal, então ele presta serviços para programas municipais. Ele entrou nesse programa por meio de uma licitação pública. Na Unicamp, não tem qualquer tipo de preferência. Existe a fila da Cross, que a gente sabe que sempre foi muito deficitária, com muitos problemas de chamamento. Inclusive, já tem posicionamento que deixa bem claro que, para casos de cirurgia bariátrica, não existe uma fila cronológica porque depende do preparo do paciente. Tiveram vários casos, de várias cidades atendidas na Unicamp. Cidades onde o doutor Felipe não prestava serviço. E a quantidade desses pacientes que fazem a cirurgia aumentam na medida em que eles são melhor preparados. Então, o paciente entraria na fila, que seguiria um cronograma, vamos supor, de "x" semanas, e quando ele vem de outro lugar, ele já vem preparado. Ele entra na fila, como todo mundo, e não direto para cirurgia. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/03/25/mp-denuncia-medicos-hc-unicamp-lideraram-esquema-fura-fila-cirurgias-bariatricas.ghtml


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